terça-feira, 6 de setembro de 2011

Caminho e Religação

O significado da palavra Religião vem do latim "religare", que quer dizer "religação".

O Homem, imerso nas agruras deste mundo que se lhe manifestam internamente e externamente, procura o que a Igreja Católica chama de Libertação, estágio que segundo a mesma nos concede a Salvação Eterna após a morte da carne. Outras correntes do cristianismo verdadeiro (excluo as neopentecostais) também acreditam em semelhante conceito. Nem mesmo o Espiritismo é absolutamente diferente, pois, se fizermos uma análise paralela, veremos que nele há o conceito de livramento dos defeitos e também de que eles não retornarão nas próximas encarnações se realmente eliminados.

As correntes religiosas da África parecem possuir cosmogonias e liturgias bastante peculiares, entretanto também nelas está um conceito semelhante a Salvação (diz uma certa nação, por exemplo, que quem foi bom aqui na terra vai para o "Grande Orum", como que o Céu dos Católicos e os Heaven e Ragnarok das tribos germânicas).

As correntes religiosas de tribos aborígenes do ocidente, Oceania, e as orientais crêem em conceitos de paz absoluta e harmonia absoluta. É claro que, se formos perguntar a algum representante de alguma destas correntes como chegamos a este estágio, certamente ele fará referência a alguma necessidade de elevação de percepção, estágio existencial ou algo próximo a estes conceitos.

Como podemos ver então, em todas as religiões verdadeiras há a busca por alguma forma de ligação com o que as pessoas em geral ainda não têm, ou então uma religação com algo que foi perdido. É justo e óbvio que por isto mesmo uma simples seita que não busca verdadeiramente esta ligação não pode ser chamada de Religião.

Livrar-se do que nos tolhe a Vida, a paz absoluta, os anseios de nossas consciências pelo bem em sua plena manifestação - os frutos da plenitude de consciência de Amor manifestos em atos e disposições no Homem e na comunidade entre os homens - requer que encontremos verdades que iluminem nossos caminhos. Na verdade requer-se para a absoluta realização deste livramento que encontremos uma grande verdade, que é a chave que desmonta todos os constructos de ilusão que ocasionam o sofrimento do Homem.

E ao alcançarmos esta Verdade, já estaríamos no que costumamos chamar de "Céu". E é ponto comum entre todas as religiões que um Deus ou ou mais de um detém esta Verdade e todo o seu esplendor. Já a questão de como Deus ou deuses são "vistos" pelas várias correntes religiosas é diversificada e foge ao foco do tema.

Portanto creio que, aquele que busca o caminho da Paz, da Libertação, qual seja de qualquer corrente religiosa, busca no final das contas a Verdade, o Céu, a religação com Deus ou com uma comunhão de deuses.

Afirmar isto pressupõe um fim. E se há fim, logo há caminho a ser traçado.

Um homem que quer chegar a uma terra distante traça seu caminho com mais clareza e alegria não olhando para as pedras nas quais tropica, mas sim imaginando o que tanto busca no que estará ao fim de sua caminhada.

Suponho que possamos aplicar tal princípio à busca espiritual, e faço um acréscimo: intuindo sobre o Reino do Céu, não só definimos um caminho, mas também uma condição de viver em que podemos através de nossos atos, e disposições internas e externas, estar agindo segundo esta Verdade que nos aguarda, e, desta forma, estando mais próximos da Vida, do viver em Verdade, situando-nos mais dentro da Real Existência. Assim, se possibilita mais claramente todo o advento do Bem e da Verdadeira Alegria, Alegria esta que nos aguarda em um brilho e significado que transcende os sentidos e a compreensão do Homem.

Alegra-te! (Ave!)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Manifestações de Energia

Por que o gato sai correndo quando ouve um forte barulho, como o espatifar de uma telha ao chão?

É pelo mesmo motivo que a “Nhá Benta” faz o sinal da cruz quando ouve um trovão!

Pergunta de resposta óbvia em sua superfície, porém com inúmeras deduções e perspectivas que podem ser abordadas a partir de uma investigação mais aprofundada destes fenômenos.

São grandes manifestações de energia. O gato como que pensa, através da sua inteligência instintiva: “tenho de sair daqui, esta coisa pode me esmagar!” e a “Nhá Benta” pensa: “Deus me proteja que um raio não torre esta casa!”.

Pois bem, tanto a respeito da “Nhá Benta” como do gato, ambos se em estado normal, no momento em que tentam se proteger da ameaça, sob uma rápida análise, vemos que também manifestam energia, mas para defenderem-se.

A “Nhá-Benta” estava feliz, tinha terminado de lavar a louça e estava preparando uma “nega-maluca” para os seus quatro filhos que estavam de folga do colégio. E o gato, oras, animais não têm preocupações senão necessidades vitais, afeto primitivo e diversão! (isto é questionável – e muito). E a telha caiu, e o relampeou. Vejamos, então: “Nhá Benta” e o gato estavam felizes, estavam vivendo, ou seja, estavam se sentindo assim, e estavam de fato vivos por isto. Daí veio a ameaça e... simplesmente nenhum dos dois quis perder suas vidas, seus viveres. Estar vivo, de fato, é conseguir viver. E eles não queriam que o fim disto fosse naquele momento.

“Nhá Benta” rezou, acendeu uma vela e perguntou para garantir para o seu marido, que acabara de chegar do serviço preocupado com a forte tormenta, se ele efetuara a checagem trimestral do pára-raios. O gato eriçou os pelos, saiu correndo, parou de lado e ficou a observar o local de origem do estrondo. Tanto “Nhá-Benta” como o gato tiveram aceleração cardíaca, frio na barriga e descarga de adrenalina. Tudo, tudo isto é manifestação direta de energia, ou de força, que é uma forma de manifestação da energia.

Se a telha atingisse o gato ou um raio torrasse os pobres “Nhá Benta” e família, porém, seus corpos manifestariam a máxima energia de reação às agressões que estariam ameaçando suas vidas.

E se sobrevivessem, logo se acalmariam e o fluxo de energia voltaria a um estado mais normalizado, até que os danos fossem completamente sanados.

E se morressem ou fossem lesados para o resto da vida em danos físicos ou psíquicos, manifestariam respectivamente a perda total da manifestação da energia dos seus corpos, no primeiro caso, ou as manifestações de estados inerentes ao sofrimento – todas, manifestações de perda de energia -, no segundo caso.

É refletindo sobre estes fatos que entendemos melhor como e porquê a hemorragia causa frio, o medo paralisa e também causa frio, a raiva e a irritação causam calor, o alívio dá uma espécie de “moleza” e nos faz suspirar, a agitação tira o sono, a depressão aumenta o tempo e a freqüência do sono, a alegria faz pular, sorrir e ser generoso, etc.

Meditando-se nestas questões, pode-se aprender coisas muito proveitosas para a Vida, para o viver. Uma delas é que o estado e disposições do corpo são realmente o espelho do estado existencial de um ser vivo, inclusive do Homem.