domingo, 16 de outubro de 2011

Ciências Caducas

Há certas pessoas que acreditam ser uma das únicas verdades a eterna mudança, senão a única.

Tentam afastar-se da idéia de estagnação através de constante mutação de forma e imagem, que é forma projetada.

Mas é bem lógico que a mudança pressupõe destruição, do contrário não se trataria de mudança e sim de acréscimo. Para muda-se uma forma ou um conceito, tem-se de mudar parte ou totalidade do já existente para criar-se outro.

Digamos que você vá construir uma casa, e, instantamente inconformado com a disposição dos cômodos, na medida em que constrói alguns, destrói outros. Bem, você certamente um dia acertará as disposições e proporções e finalmente terminará a casa. Com um gasto enorme e desnecessário de raciocínio, e material, tempo e mão-de-obra.

O quê houve de errado? A crença de que podemos criar nossas próprias verdades.

Se o construtor da casa tivesse raciocinado de forma coerente e absoluta durante a fase de projeto da casa, não teria de mudar um azulejo só ao final da obra.

Mas preferiu crer nos seus constructos, devaneios, não correspondentes à verdade concreta em si.

Desta forma, estamos sempre mudando, criando e desfazendo verdades conforme nossas conveniências. O resultado é uma evolução lenta percorrida num caminho repleto de partes de chão em falso. A lentidão é resultado das destruições constantes em função da necessidade de se destruir constructos falsos, que são as partes do chão em que nos firmamos em vão por não serem verdade, por serem ilusão, não tendo isto razão de ser.

É este atraso que torna as pessoas e as ciências literalmente caducas, estagnadas.

Vejamos, o próprio medo de estagnação move a ânsia do Homem de criar falsos constructos que só levam a mais estagnação.

O ortodoxismo, por outro lado, também pressupõe claramente a idéia de estagnação.

Nas pessoas e nas ciências, as idéias opostas de ortodoxismo e mudança constante criam um descompasso no qual as bases, que deveriam evoluir, continuam as mesmas, cobertas por um falso véu de evolução através da constante mudança superficial.

Você pode fazer a barba, perfumar-se, ir para uma festa. Não mudando suas bases, se fores triste, continuarás ao tornar para a casa.

E as ciências? Tomemos como exemplo o Espiritismo, uma mescla de Ciência, Filosofia e Religião. Em suas bases, segue lá o velho “pentateuco” de Allan Kardec. Mas hoje falam até em física quântica. Sim! E neste caminho deixaram de pesquisar o magnetismo animal e outras descobertas da época de meados do século XVIII. E com tantos engenheiros e técnicos de variadas áreas, com este suposto tanto conhecimento da Física quântica relacionado à Ciência Espírita, nenhum aparelho criaram! Não usam nem bobinas e outros aparelhos da época da descoberta do mesmerismo, e também não concebem aparelhos segundo os novos conhecimentos. Conhecimentos estes que, ao invés de suplantar os antigos, deveriam acrescentar-se a eles, devendo-se somente aprimorá-los em termos de visão e conceito e não abandoná-los.

Mudança após mudança que não se somam. Sobre uma base caduca.

A ciência formal ocidental, por outro lado, se estagna em seu ortodoxismo. Vemos centenas de avanços todos os dias, mas meramente tecnológicos. O procedimento científico custa a alcançar novos degraus em que se alterem suas bases. Por estar condicionado aos interesses do Capitalismo, não tem autonomia. E pelos interesses de todos que o influem ou a ele estão ligados, ergue-se em constructos, teorias, e não na investigação e constatação puras, o que levaria ao constante acréscimo e real evolução de todo o sistema da Ciência.

Deste modo, podemos ver, no final das contas, que se queremos real evolução, não podemos ser ortodoxos nem amorfos segundo o que desejamos que seja a verdade, e sim encarar firmemente o desvendar das relações da Vida e dos elementos com as ferramentas lógicas, materiais e espirituais de que realmente dispomos.

Em minha opinião, este é o caminho mais claro para o advento de todos os frutos do Amor e da Vida, aos quais a Ciência deve servir e o Homem deveria buscar, traçando assim caminhos mais verdadeiros e não ilusórios.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Vida e Relações de Responsabilidade.

Este é um breve artigo que para a sua compreensão total necessita de complementos, ou compreensões de nossa parte, que ainda estão por vir. Estão aí, em cada ponto do Infinito, bem como em nossos âmagos, nossos seres reais, nossos espíritos.

O que é o amor? Velha pergunta. Quem já desvendou todos os seus mistérios agora está no Altíssimo, ao lado de Deus.

Mas se conseguirmos entender que Deus está em todos e é um só, e que nada existe além da Grande Vida, então já podemos ter mais paz em nossas caminhadas, pois tal consciência traz a idéia de Unicidade.

A Grande Vida é tudo o que existe realmente. Tudo que vem da Mente de Deus. Sem a Mente, não há mentes, logo não haveriam consciências. Somos reflexos infinitos de infinitos reflexos conscienciais, para se explicar de uma forma mais densa o que aprofundado ou sublimado se eleva à Unicidade dos Espíritos em Amor Divino.

E é mais-ou-menos aí por este caminho que nos amamos e que é impossível sermos realmente individuais e termos Vida.

Convivemos numa sociedade doente. Fome, guerras insanas, violência sem freios, manifesta cada vez mais, e também sempre projetada e exacerbada pela mídia, indiferença, ignorância, vícios e insanidades em geral e uma quase total frieza dos governos para com os cidadãos, como na área da saúde e educação e também inclusive na própria responsabilidade que deveriam ter para resolver todos estes males.

Responsabilidade. Não temos culpa dos erros distantes de nós neste planeta. Mas devemos ser responsáveis por cada ato ou omissão que efetuamos.

Ser responsável quer dizer ser capaz de responder por algo. Vem da palavra “resposta”.

Se uma mãe ama um filho, ela responde por ele. E ele também, querendo responder ao amor dela, deverá se sentir e de fato ser responsável por ela. Da mesma forma que dois amigos ou irmãos. A responsabilidade é mútua; não deveríamos ser somente responsáveis por quem amamos, mas também por quem nos ama. Pensemos, há amor sem reciprocidade? Por conseqüência, a responsabilidade também, em sua plena manifestação, é recíproca entre todos os entes de uma egrégora.

Quando somos responsáveis por alguém, devendo ser a responsabilidade reflexo do Amor, devemos tratar este ente com todo o zelo que podemos ter.

Sendo os níveis de coerência com o termo da responsabilidade entre os entes de uma mesma egrégora que determinam suas dinâmicas internas e rumo a que se dirige, podemos afirmar que as egrégoras funcionam como máquinas em que cada um de nós é uma engrenagem, que caso funcione mal dificulta ou mesmo impede o funcionamento de algumas, muitas ou todas as outras.

Então creio que, sob os pontos de vista elucidados, devamos dar o melhor de nós para que estas “máquinas” funcionem corretamente, assim ajudando-nos mutuamente no progresso de edificarmo-nos moralmente dentro de uma unicidade cada vez maior, rumo ao Céu que tanto queremos enxergar.

E não esqueçamos que todos nós – homens, animais, plantas, fungos e protistas – somos pertencentes à grande egrégora da Vida. Tenhamos sempre amor.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Caminho e Religação

O significado da palavra Religião vem do latim "religare", que quer dizer "religação".

O Homem, imerso nas agruras deste mundo que se lhe manifestam internamente e externamente, procura o que a Igreja Católica chama de Libertação, estágio que segundo a mesma nos concede a Salvação Eterna após a morte da carne. Outras correntes do cristianismo verdadeiro (excluo as neopentecostais) também acreditam em semelhante conceito. Nem mesmo o Espiritismo é absolutamente diferente, pois, se fizermos uma análise paralela, veremos que nele há o conceito de livramento dos defeitos e também de que eles não retornarão nas próximas encarnações se realmente eliminados.

As correntes religiosas da África parecem possuir cosmogonias e liturgias bastante peculiares, entretanto também nelas está um conceito semelhante a Salvação (diz uma certa nação, por exemplo, que quem foi bom aqui na terra vai para o "Grande Orum", como que o Céu dos Católicos e os Heaven e Ragnarok das tribos germânicas).

As correntes religiosas de tribos aborígenes do ocidente, Oceania, e as orientais crêem em conceitos de paz absoluta e harmonia absoluta. É claro que, se formos perguntar a algum representante de alguma destas correntes como chegamos a este estágio, certamente ele fará referência a alguma necessidade de elevação de percepção, estágio existencial ou algo próximo a estes conceitos.

Como podemos ver então, em todas as religiões verdadeiras há a busca por alguma forma de ligação com o que as pessoas em geral ainda não têm, ou então uma religação com algo que foi perdido. É justo e óbvio que por isto mesmo uma simples seita que não busca verdadeiramente esta ligação não pode ser chamada de Religião.

Livrar-se do que nos tolhe a Vida, a paz absoluta, os anseios de nossas consciências pelo bem em sua plena manifestação - os frutos da plenitude de consciência de Amor manifestos em atos e disposições no Homem e na comunidade entre os homens - requer que encontremos verdades que iluminem nossos caminhos. Na verdade requer-se para a absoluta realização deste livramento que encontremos uma grande verdade, que é a chave que desmonta todos os constructos de ilusão que ocasionam o sofrimento do Homem.

E ao alcançarmos esta Verdade, já estaríamos no que costumamos chamar de "Céu". E é ponto comum entre todas as religiões que um Deus ou ou mais de um detém esta Verdade e todo o seu esplendor. Já a questão de como Deus ou deuses são "vistos" pelas várias correntes religiosas é diversificada e foge ao foco do tema.

Portanto creio que, aquele que busca o caminho da Paz, da Libertação, qual seja de qualquer corrente religiosa, busca no final das contas a Verdade, o Céu, a religação com Deus ou com uma comunhão de deuses.

Afirmar isto pressupõe um fim. E se há fim, logo há caminho a ser traçado.

Um homem que quer chegar a uma terra distante traça seu caminho com mais clareza e alegria não olhando para as pedras nas quais tropica, mas sim imaginando o que tanto busca no que estará ao fim de sua caminhada.

Suponho que possamos aplicar tal princípio à busca espiritual, e faço um acréscimo: intuindo sobre o Reino do Céu, não só definimos um caminho, mas também uma condição de viver em que podemos através de nossos atos, e disposições internas e externas, estar agindo segundo esta Verdade que nos aguarda, e, desta forma, estando mais próximos da Vida, do viver em Verdade, situando-nos mais dentro da Real Existência. Assim, se possibilita mais claramente todo o advento do Bem e da Verdadeira Alegria, Alegria esta que nos aguarda em um brilho e significado que transcende os sentidos e a compreensão do Homem.

Alegra-te! (Ave!)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Manifestações de Energia

Por que o gato sai correndo quando ouve um forte barulho, como o espatifar de uma telha ao chão?

É pelo mesmo motivo que a “Nhá Benta” faz o sinal da cruz quando ouve um trovão!

Pergunta de resposta óbvia em sua superfície, porém com inúmeras deduções e perspectivas que podem ser abordadas a partir de uma investigação mais aprofundada destes fenômenos.

São grandes manifestações de energia. O gato como que pensa, através da sua inteligência instintiva: “tenho de sair daqui, esta coisa pode me esmagar!” e a “Nhá Benta” pensa: “Deus me proteja que um raio não torre esta casa!”.

Pois bem, tanto a respeito da “Nhá Benta” como do gato, ambos se em estado normal, no momento em que tentam se proteger da ameaça, sob uma rápida análise, vemos que também manifestam energia, mas para defenderem-se.

A “Nhá-Benta” estava feliz, tinha terminado de lavar a louça e estava preparando uma “nega-maluca” para os seus quatro filhos que estavam de folga do colégio. E o gato, oras, animais não têm preocupações senão necessidades vitais, afeto primitivo e diversão! (isto é questionável – e muito). E a telha caiu, e o relampeou. Vejamos, então: “Nhá Benta” e o gato estavam felizes, estavam vivendo, ou seja, estavam se sentindo assim, e estavam de fato vivos por isto. Daí veio a ameaça e... simplesmente nenhum dos dois quis perder suas vidas, seus viveres. Estar vivo, de fato, é conseguir viver. E eles não queriam que o fim disto fosse naquele momento.

“Nhá Benta” rezou, acendeu uma vela e perguntou para garantir para o seu marido, que acabara de chegar do serviço preocupado com a forte tormenta, se ele efetuara a checagem trimestral do pára-raios. O gato eriçou os pelos, saiu correndo, parou de lado e ficou a observar o local de origem do estrondo. Tanto “Nhá-Benta” como o gato tiveram aceleração cardíaca, frio na barriga e descarga de adrenalina. Tudo, tudo isto é manifestação direta de energia, ou de força, que é uma forma de manifestação da energia.

Se a telha atingisse o gato ou um raio torrasse os pobres “Nhá Benta” e família, porém, seus corpos manifestariam a máxima energia de reação às agressões que estariam ameaçando suas vidas.

E se sobrevivessem, logo se acalmariam e o fluxo de energia voltaria a um estado mais normalizado, até que os danos fossem completamente sanados.

E se morressem ou fossem lesados para o resto da vida em danos físicos ou psíquicos, manifestariam respectivamente a perda total da manifestação da energia dos seus corpos, no primeiro caso, ou as manifestações de estados inerentes ao sofrimento – todas, manifestações de perda de energia -, no segundo caso.

É refletindo sobre estes fatos que entendemos melhor como e porquê a hemorragia causa frio, o medo paralisa e também causa frio, a raiva e a irritação causam calor, o alívio dá uma espécie de “moleza” e nos faz suspirar, a agitação tira o sono, a depressão aumenta o tempo e a freqüência do sono, a alegria faz pular, sorrir e ser generoso, etc.

Meditando-se nestas questões, pode-se aprender coisas muito proveitosas para a Vida, para o viver. Uma delas é que o estado e disposições do corpo são realmente o espelho do estado existencial de um ser vivo, inclusive do Homem.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Pilastras da Fé

Pessoal, eu queria ser criterioso, organizando metódica e seqüencialmente o conteúdo deste blog. Mas tenho tido acesso restrito à Internet e tenho cá meus problemas enfadonhos, pesadelos, que me impedem de dedicar muito tempo à telinha e ao teclado. Então, vou postando o que posso sem uma ordem definida.

O assunto é breve, fruto de minhas reflexões imediatas e recentes sobre como as pessoas agem em relação à fé e à questão da moralidade.

Enfim, o que é fé? Ter certeza, estar certo (há uma diferença entre estes dois conceitos), saber, acreditar?

Minha vó, que é crente, acha (tem fé) que pagando pelas orações de alguma forma Deus a concederá milagres materiais, temporais.

Minha outra vó vê pecado em tudo e esta é a sua fé. É a imagem de sua própria mente!

Fulano, ciclano, beltrano, pode ter um grau de confiança em uma verdade que pode ir da dúvida à certeza. A questão é: Sabermos de algo. Algo que está por vir ou que não enxergamos, mas existe. E porquê existe influi nos elementos, no passo que no mínimo ocupa uma localização no espaço ou no tempo.

Quando concientizamo-nos de que ter fé não é acreditar, mas sim confiar totalmente, então temos fé. Falsa ou verdadeira, mas fé.

Meditando sobre esta questão, volta à popular pauta seqüencial de assuntos, a questão: Sim, fé é uma verdade, algo em que podemos confiar. Mas afinal, qual é a verdade? Onde está a Verdade?

Minha opinião pessoal, depois de mais de nove anos meditando em torno destas questões, é que, sendo nós em verdade espíritos - revestindo de carne - , e sendo os espíritos em sua concepção primitiva herdeiros da Sabedoria Divina em sua absoluta simplicidade e pureza (pois nossos espíritos d'Ele se originaram), verificamos por dedução que é muito provável que a visão da Verdade nos foi tolhida pela carne, tal qual a catarata ataca as vistas.

Creio firmemente, para não dizer que sei: O espírito contém todas as respostas e a carne toda a imperfeição moral que nos acarreta o sofrimento.

Sob este prisma, suponho que o caminho mais confiável para alcançarmos a Iluminação é a reflexão, a meditação, a vigília e a oração constantes.

Disse-me um grande amigo muito mais velho que eu: "Estamos sendo testados a todo momento."

Disseram-me outros verdadeiros computadores humanos: "Temos de operar com o que temos, não há outra solução."

Daí deduzo que a Verdade está para o futuro em espírito tal qual o pecado, o erro, está para o presente sob a imperiosa cegueira que a carne nos acarreta.

O que fazer? Acaso não podemos nos mover?

Há a intuição, há a experiência milenar que comprova uma Verdade que sutilmente conseguimos perceber. E tanto mais quanto conseguirmos situarmo-nos em espírito, mais clara se tornará esta Verdade, e seguindo retamente este entendimento, também saberemos evitar sempre: O pecado, a dor da perda e o amargo remorso - condição que constitui a pior provação da humanidade desde o início da nossa História.

Não procuremos construir verdades como quem constrói um castelo de cartas. Procuremos ver o mundo com os aparelhos que temos - físicos ou espirituais - , e então nossa FÉ encontrará o PÃO DE CADA DIA.

Grato à todos e até a próxima.